Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

ANTES TARDE DO QUE NUNCA...

Faz muito tempo que não escrevo por aqui, gostaria até de me desculpar com vocês, leitores. Fico feliz quando sou “cobrada” sobre um novo post, isso significa que vocês gostam do que escrevo. Esperava tempo e inspiração para fazê-lo, o primeiro já consegui, já o segundo...
Na verdade um fato ocorrido na minha vida pessoal me inspirou sobre esse post. Serei tia mais uma vez de uma linda menininha! Pois é, além de me fazer acostumar com a ideia de ficar para titia, esse presente de Deus me fez pensar num assunto muito importante, porém, muito pouco divulgado. O pré-natal odontológico.
Entre os odontopediatras, ou seja, os dentistas que cuidam exclusivamente de crianças, esse tema é muito bem conhecido e discutido. Inclusive existem especialidades na odontologia voltadas para essa área: como por exemplo, a odontologia de bebês e a odontologia intra-uterina. Entretanto, percebo que, as gestantes, de um modo geral, não dão a devida importância ao assunto pois não conseguem associar os malefícios que uma má higiene bucal pode causar nos seus bebês, simplesmente por uma questão de desconhecimento.
É DEVER do cirurgião-dentista, odontopediatra ou não, especialista ou não em odontologia intra-uterina ou odontologia de bebês, instruir suas pacientes gestantes com relação a isso.
Todo clínico geral sabe, ou pelo menos deveria saber, que, durante a gravidez, a prevalência da gengivite (inflamação das gengivas) varia de 35% a 100%. Isso se dá pelo fato dos hormônios gestacionais, como o estragiol, o estriol, o estrogênio e a progesterona, estarem elevados. Estudos examinando mulheres grávidas e mulheres no período pós-parto mostraram que, apesar de os níveis de placa bacteriana serem os mesmos, as mulheres grávidas apresentavam uma inflamação gengival mais severa do que as mulheres no período pós-parto, provavelmente porque os hormônios gestacionais atuam como fatores de crescimento das bactérias. É como se as bactérias se alimentassem desses hormônios e ficassem maiores e mais fortes.
Além disso, a resposta imunológica, ou seja, a defesa do organismo da mulher grávida, também está alterada. Todos nós temos uma camada de queratina, uma proteína que por ser insolúvel funciona como uma capa protetora, recobrindo a nossa gengiva. Os níveis elevados dos hormônios estrogênio e progesterona diminuem essa camada de proteção, tornando a possibilidade de infiltração das bactérias no organismo da mulher grávida mais fácil. Bactérias maiores e mais fortes, por si só, já conseguiriam atravessar essa barreira protetora com uma certa facilidade, agora, imaginem vocês se essa capa protetora for perdida, o quão fácil será essa invasão.
Uma vez dentro do organismo, as bactérias circulam pelo sangue, podendo se alocar em qualquer região. Se as bactérias e/ou suas toxinas alcançarem a cavidade uterina, podem estimular o desenvolvimento de uma inflamação, pois o organismo tenta se proteger da infecção (presença de bactérias) através da inflamação. Isso causa dilatação cervical, contração do músculo uterino e o início do trabalho de parto,muitas vezes antes da 37o semana estar completa, caracterizando o nascimento de um bebê com baixo peso, ou seja, prematuro. Além disso, o contato das bactérias com a membrana ovular, a bolsa que envolve o bebê, causa a sua ruptura, estimulando assim o trabalho de parto. Vocês devem estar se perguntando: toda mulher grávida que tem inflamação nas gengivas vai ter bebê prematuro?! Não. Porém, estudos mostram uma grande relação entre as doenças periodontais (inflamação das gengivas e do osso suporte dos dentes) e os partos prematuros.
A característica principal da gengivite é o sangramento, que pode ocorrer espontaneamente, e/ou durante a escovação, e/ou durante o uso do fio dental, dando a impressão errada de que ele ocorre porque “estou machucando minha gengiva”. Com isso, a paciente pára de escovar e/ou usar o fio dental pois imagina que está traumatizando suas gengivas e por isso elas estão sangrando. Na verdade, elas sangram porque estão inflamadas e estão inflamadas porque tem sujeira ao seu redor. Sendo assim, o tratamento e o controle da gengivite consiste na remoção da “sujeira” (placa bacteriana) através da escovação e do uso do fio dental. Muitas mães devem estar pensando: “Poxa, mas eu escovo meus dentes 3 vezes ao dia e uso o fio dental, pelo menos, uma vez ao dia. Mesmo assim minhas gengivas sangram, por que será?” Provavelmente porque a forma como isso está sendo feito não está correta, por isso a importância de procurar seu dentista. Só ele é capaz de lhe ensinar a forma mais correta de você escovar os dentes. Que isso sirva de alerta para as mamães, as futuras mamães, os papais, os que nem pensam em se tornar pais e mães, os avós, ou seja, isso serve de alerta para todos nós. TODOS somos passíveis de desenvolver doenças periodontais, caso nossa higiene não esteja correta.
Então, está esperando o que para me procurar ou procurar o seu dentista?! Marque o mais rápido possível uma consulta e peça para que ele avalie a forma como você está escovando seus dentes, os resultados podem ser surpreendentes!
Um beijo grande...
Dra. Jú

Terça-feira, 1 de Março de 2011

O CONGRESSO COMO NINGUÉM NUNCA VIU...

Em comemoração aos 100 anos da APCD e por fazer parte da organização do chamado Congresso do Centenário, resolvi preparar esse post. Por se tratar de um post comemorativo, demorou, mas finalmente ficou pronto!

Todo ano é a mesma coisa: vai chegando agosto e as minhas quartas-feiras vão ficando mais cheias, graças às reuniões do Congresso. Há 6 anos trabalho na organização do maior congresso de odontologia da América Latina: o CIOSP. E tenho muito orgulho por isso.
A título de curiosidade, resolvi escrever sobre os bastidores do congresso: as reuniões, as decisões e alguns números que os congressistas e meus pacientes nem fazem ideia que existem!
A primeira “curiosidade” que muitos DENTISTAS CONGRESSISTAS nem imaginam (ou pelo menos, fazem questão de mostrar que nem se interessam em saber) é que TODA a comissão organizadora do Congresso, sem exceção, é formada por Cirurgiões-Dentistas. Tudo é feito por dentistas: desde a negociação com os hotéis que receberão os congressistas, a contratação dos ônibus que transportarão os congressistas, a negociação com as companhias aéreas para conseguir descontos nas tarifas para os congressistas, a batalha por patrocínio, a contratação dos shows que entreterão os congressistas, até o contato com os políticos que participarão da solenidade de abertura, engrandecendo ainda mais o evento.
São praticamente 12 meses de preparação para um Congresso que dura 4 dias! Sim, porque a comercialização da feira, aquele local que todos adoram visitar, checar as ofertas e as novidades, começa a ser feita ainda durante o congresso anterior. Para o próximo congresso, por exemplo, mais de 50% da feira já está comercializada (entende-se por comercializada “vendida”).
Também é importante ressaltar que todo o trabalho de organização é VOLUNTÁRIO. Isso significa que, nós, da comissão organizadora, damos um duro danado para que tudo saia ao contento do congressista sem receber nenhum tostão por isso! Por mais absurdo que possa parecer. Durante 12 meses, pelo menos uma vez na semana, saímos mais cedo dos nossos consultórios para participar das reuniões do Congresso, na sede da APCD, e durante o evento, ou seja, 4 dias do mês de janeiro, praticamente fechamos nossos consultórios para nos dedicarmos exclusivamente ao sucesso do Congresso. SEM GANHAR NADA POR ISSO!
Mas no fim, tudo compensa. Esse ano, arriscamos mudar de local nosso evento. E deu super certo! Só tenho ouvido elogios com relação a essa mudança. Desde a primeira edição, o congresso sempre acontecia no Anhembi. E todo ano era aquela confusão: janeiro, mês das chuvas, todos ficávamos de cabelos em pé esperando pelo alagamento da região próxima ao Anhembi, o calor infernal do pavilhão, os banheiros precários do local. Um caos! Tomamos coragem e resolvemos mudar para o Expo Center Norte. Foi um sucesso! O local, além de bem localizado, evitando os problemas de alagamento das ruas próximas, tem uma infra-estrutura impecável, com escadas rolantes e elevadores, facilitando o acesso, inclusive, de congressistas cadeirantes e com dificuldades de locomoção. É totalmente climatizado, acabando com o calor insuportável, os banheiros super bem cuidados e limpos, dignos de um Congresso Internacional. E o estacionamento, além de mais barato, tem uma melhor localização, ficando próximo também dos estacionamentos do Lar Center e Shoping Center Norte, facilitando ainda mais o acesso dos congressistas. Assim como muitos dos meus colegas, só vi vantagens nessa mudança!
E a grade científica do Congresso, então?! Um sucesso! Ao todo foram 10 cursos internacionais e 129 nacionais, incluindo os cursos multidisciplinares, as conferências clínicas, os simpósios, os simpósios gratuitos, os cursos de soluções clínicas, os direcionados para os acadêmicos, os de sequência clínica, os hands on, os workshops, os voltados para auxiliares e técnicos em saúde bucal e os voltados para os técnicos em próteses dentárias. Além dos cursos, contamos também com o projeto de saúde coletiva e o projeto ensino e pesquisa, voltado para os profissionais acadêmicos. Portanto, todos os segmentos da odontologia foram contemplados!
Além de informar, o Congresso também presta um excelente serviço social através do OdontoComunidade e do Odonto Terceira Idade. Ambos projetos visam agraciar entidades carentes. O Odontocomunidade se encarrega de buscar crianças de diversas comunidades carentes, trazê-las até o Congresso onde elas participam de atividades recreativas e educativas. Já o Odonto Terceira Idade cuida de idosos carentes, trazendo-os para o Congresso com o intuito de educá-los com relação à saúde bucal. É um trabalho totalmente sem fins lucrativos e belíssimo!
Tudo é pensado para melhor atender ao congressista. Temos um alojamento que acolhe os acadêmicos de outras regiões do Brasil e até mesmo de outros países. O alojamento costuma ficar localizado bem próximo ao evento, facilitando o acesso desses acadêmicos ao Congresso, além de contar com ônibus que levam toda essa galera para as baladas. São programadas, em cada dia do evento, uma balada diferente, geralmente em casas noturnas próximas à região do Congresso.
Como vocês podem ver, queridos leitores, o CIOSP costuma ser um enorme sucesso porque agrega conhecimento científico, através dos cursos oferecidos, possibilidade de ótimos negócios, através das super ofertas praticadas pelas empresas participantes da feira e diversão, muita diversão, através dos shows realizados na Praça de Alimentação, localizada no próprio espaço do evento, e das casas noturnas conveniadas.
E para finalizar, quero deixar aqui registrado o meu agradecimento ao Dr. Adriano Albano Forghieri, presidente da APCD, ao Dr. Silvio Jorge Cecchetto, presidente do Congresso do Centenário e, em especial, a Dra. Kikuko Otsuki, minha grande amiga pessoal e Coordenadora da Comissão de Recepção, Transportes e Social do Congresso do Centenário, pela confiança em mim depositada e pela oportunidade de, mais uma vez, fazer parte dessa grande família!
Um beijo grande
Dra. Jú

Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

QUANTO VALE UM SORRISO?


           Como prometido, dedico esse post à querida leitora Elaine Telles e a todos os leitores que compartilham com ela essa questão tão pertinente e que faz tão parte do tratamento odontológico: seus valores!
            Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que não vejo justificativa para se exercitar esse tipo de propaganda e/ou publicidade citada no post anterior. Essa prática fere o código de ética do cirurgião-dentista e, a meu ver, a ética não está relacionada ao valor do tratamento.
            Posto isso, concordo com a Elaine quando ela diz que “Ter dentes branquinhos, alinhados, tudo isso custa muito caro...”, porém discordo veementemente quando ela diz: “... e é inacessível a maioria da população.” e vou explicar o porque.   
            De acordo com o próprio Código de Ética Odontológica, a fixação dos honorários profissionais é feita baseada nos seguintes preceitos:
  a condição sócio-econômica do paciente e da comunidade (o próprio paciente procura o serviço que mais se adequa ao seu orçamento doméstico);
  • o conceito do profissional (a filosofia de trabalho de cada profissional);
  • o costume do lugar (praticar preços altos para população de alta renda e praticar preços baixos para a população de baixa renda);
  • a complexidade do caso (naturalmente casos mais complexos exigem mais tempo e empenho do profissional);
  • o tempo utilizado no tratamento (quantas sessões de quantos minutos serão necessárias para a conclusão do tratamento);
  • o caráter de permanência, temporariedade ou eventualidade do trabalho (intimamente relacionado com o item anterior);
  • a circunstância em que tenha sido prestado o tratamento (tratamentos de urgência costumam ter um valor mais elevado, normalmente os atendimentos noturnos, em finais de semana e feriados);
  • o custo operacional (levar em consideração basicamente o material utilizado e as instalações e os equipamentos do consultório).
          Os tratamentos estéticos, aqueles que tem por finalidade tornar os dentes mais brancos e alinhados, por exemplo, necessitam de um tempo maior para a sua execução (principalmente com relação ao alinhamento dos dentes), portanto a frequência do paciente ao consultório é maior. Normalmente, esses casos costumam ser complexos, afinal estamos lidando com a expectativa do paciente e os produtos e equipamentos utilizados para obter os resultados esperados, costumam ter um preço mais elevado. Sendo assim, fica fácil entender que o custo desse tratamento também é mais elevado.
            Entretanto, ao contrário do que a Eliana e muitos de vocês pensam, tratamento caro nem sempre é sinônimo de tratamento inacessível. Atrevo-me a dizer que, atualmente, apenas a população miserável não pode ter acesso a esse tipo de tratamento. Facilitar o acesso a um tratamento adequado, viabilizando-o através do parcelamento, não fere a ética. Muito pelo contrário, se partirmos do princípio que o alto custo do tratamento pode se tornar um empecilho para o alcance da saúde. Portanto, queridos leitores, como toda satisfação depende de pesquisa, se você quer ter dentes brancos, alinhados e bonitos, você não pode ter preguiça, tem que pesquisar!
Como tudo na sua vida, sua saúde também é uma questão de valores, e não estou falando de valores econômicos, mas sim de valores pessoais. Se o tratamento odontológico for uma prioridade para você, tenho certeza que será capaz de encontrar um profissional que o atenda, dentro do que você é capaz de pagar, otimizando a relaçã capaz de pagar, otimizando a relaçe  bonitos, vocprestadoslho para o alcance da sao custo-benefí custo-benefcio.  
Um beijo grande!
Dra. Jú

Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO

Queridos leitores, talvez vocês achem que esse post está mais para um desabafo do que qualquer outra coisa. Mas também serve de alerta para vocês.
Sempre ouvi dizer que a propaganda é a alma do negócio. E concordo plenamente com essa máxima. Entretanto, ultimamente vejo um descontrole absurdo com relação à essa prática na minha profissão. Com a criação dos sites de compras coletivas, o dentista, que detesta ficar de fora das “últimas”, resolveu também participar dessa forma, no mínimo, esquisita de propaganda.
Calma, pessoal! Acho essa forma de propaganda esquisita somente com relação à prestação de serviços em saúde. Vejam só se vocês não concordam comigo.
A princípio nem vou discutir a ética da legislação odontológica, só quero que vocês usem do seu bom senso e reflitam. Quando você procura o seu dentista, normalmente você é atendido numa primeira consulta para que ele possa lhe examinar e diante do que ele observou, lhe passar um plano de tratamento, ou seja, relacionar tudo o que será feito e, daí sim, baseado nisso, fazer uma previsão de custos, não é assim?! Bom, pelo menos deveria ser.
Primeiro ponto: se você não encontra isso no seu dentista, acho que está na hora de repensar sobre o profissional.
Segundo ponto: diante do que foi posto, como um profissional pode anunciar num site de compras coletivas um valor fechado de “orçamento”? Estou falando isso, porque ontem recebi, de um colega tão revoltado quanto eu, um link do site de compras coletivas “groupon” onde uma clínica odontológica oferecia “Clareamento a Laser + 2 Restaurações + Profilaxia! Por R$ 229,90”
Ignorando o fato de que “Clareamento a Laser” não existe, como já discuti em post nesse blog antes (pode procurar!), faço uma pergunta: como um “profissional” pode oferecer 2 restaurações dentro de um pacote de tratamento sem ao menos ver o paciente?? Isso sem falar na “Profilaxia”. O que será que esse “profissional” entende por “profilaxia”?! O que você, leitor, entende por “profilaxia”?! Você já foi instruído com relação a isso? Se ainda não foi, não gostaria de ser? Ou o simples fato de comprar a tal da profilaxia num pacote de tratamento lhe satisfaz? E se você, paciente, não precisar de 2 restaurações, será que o “profissional” as fará mesmo assim só porque você tem direito à elas??? Esse tipo de postura me dá o direito de ficar pensando em vários “E se...” e como meu marido diz: “E se minha mãe tivesse seis tetas? Oras! Ela seria uma porca!"
Portanto, fica aqui um alerta: a sua saúde não pode ser comprada num site de vendas coletivas! Exija individualidade e respeito do profissional que te atende. Muitas vezes, o que é bom para o outro não é bom para você e vice-versa.
Por fim, gostaria de pedir a sua colaboração. Aquele colega tão revoltado quanto eu, criou um abaixo assinado contra essa prática no site http://www.abaixoassinado.org/ (procure por "SOMOS CONTRA A COMPRA COLETIVA EM ODONTOLOGIA" em "Últimos abaixo-assinados criados). Gostaria apenas que você, querido leitor, me ajudasse a divulgar! Isso também diz respeito a sua saúde!
Obrigada!
Um beijo grande
Dra. Jú

Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

MAU HÁLITO

Começo esse post agradecendo, mais uma vez, todos vocês, fiéis leitores. Nosso blog está fazendo mais sucesso do que eu esperava e, nada mais justo, do que dividir isso com vocês!
Graças à esse sucesso, tenho recebido vários e-mails no meu contato com sugestões de temas para serem comentados. Os que ainda não comentei estou fazendo certa triagem, levando em consideração a quantidade de pedidos, para tentar tornar o processo mais justo.
Um tema que merece abordagem diferenciada, por causar uma repercussão sociológica maléfica, é o mau hálito. De acordo com a Associação Brasileira de Pesquisas dos Odores Bucais (ABPO), 40% dos brasileiros sofrem de, e por que não dizer com, o mau hálito, também conhecido como halitose.
As pessoas que apresentam mau hálito, instintivamente, acabam se afastando do convívio social, pois percebem certa rejeição e, em alguns casos, até são motivos de brincadeiras de extremo mau gosto. Exatamente por isso, esse tema merece ser discutido com grande atenção e cuidado.
Diferentemente do que muitos pensam, a halitose tem sua causa, em 90% dos casos, na boca. Está diretamente relacionada com a presença da saburra, um concentrado de placa bacteriana de aspecto esbranquiçado localizado na parte posterior da língua. A saburra, composta por restos alimentares e bactérias anaeróbias proteolíticas, ou seja, bactérias que sobrevivem em regiões sem oxigênio e que se alimentam de proteínas, libera como produtos de metabolização gases sulfurados voláteis, responsáveis pelo odor desagradável.
A queda do fluxo salivar também tem grande importância na causa do mau hálito. A saliva é um anti-séptico bucal natural, pois possui substâncias que combatem as bactérias. Além disso, ajuda no enxágue da boca, diminuindo os resíduos de bactérias e alimentos. Por isso, é muito comum os pacientes relatarem odor extremamente desagradável logo ao acordarem. Durante o sono, nosso fluxo salivar diminui drasticamente, tornando o ambiente bucal propício para a proliferação das bactérias. Dessa forma, é extremamente importante realizar uma higiene oral cuidadosa, incluindo uso de fio dental e enxaguatórios bucais, antes de dormir. Aqui vai um alerta para os pacientes que costumam tirar um cochilo após o almoço. Nesses casos, se, antes de deitar, não realizarem uma higiene bucal correta, além de acordarem com mau hálito, tem grandes chances de desenvolverem cárie.
As causas locais mais comuns do mau hálito são: má higiene bucal (não uso do fio dental, não escovação da língua e escovação incorreta dos dentes), presença de cáries, presença de dentes quebrados (proporcionam região para acúmulo de placa bacteriana de difícil remoção) e problemas periodontais (gengivite, também conhecida como inflamação da gengiva e periodontite, acúmulo de tártaro abaixo da gengiva que pode causar amolecimento e, consequentemente, perda dos dentes).
Alguns distúrbios sistêmicos também são responsáveis por gerar um odor desagradável na boca das pessoas. As amigdalites, infecções que acometem a garganta, muitas vezes tem como consequência, a formação de pus, responsável pelo mau hálito. Isso também acontece nos casos de sinusite, infecção dos espaços aéreos encontrados na região da maçã do rosto. Em alguns casos, ao invés do pus, proveniente da infecção, ficar aprisionado nesses espaços, causando dores de cabeça características, ele drena pela garganta, causando mau hálito.
É comum pessoas que ficam muitas horas sem se alimentar apresentarem um hálito desagradável. Isso acontece porque, como nosso organismo está muito tempo sem se alimentar, não há glicose circulante. Para obter energia, o organismo passa a queimar proteínas e gorduras. O mesmo acontece com os diabéticos. Pelo fato das células não receberem glicose, elas obtém energia a partir da queima de gorduras. Essa queima gera uma grande quantidade de ácidos denominados cetoácidos, responsáveis pelo característico hálito cetônico.
Como podemos perceber, manter um hálito fresco não requer muito trabalho! Manter a higiene bucal em dia é fundamental. Dúvidas a respeito?? Entre em contato! Será um enorme prazer poder lhe ajudar.
Um beijo grande!
Dra. Jú

Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

CUIDAR DE QUEM CUIDA DA GENTE...

Em primeiro lugar, gostaria de desejar à todos os leitores do blog um excelente 2011! Que o próximo ano seja repleto de realizações, conquistas, saúde, amor, paz e sucesso.
Hoje, li na capa do site da UOL uma notícia relacionada a um tema pouco abordado pelos dentistas, mas não menos importante para a saúde geral do paciente: a higienização das escovas de dente.
As escovas são utilizadas para remover, mecanicamente, a sujeira encontrada na superfície dos dentes. Nesse caso, entendemos por sujeira: restos de alimentos, bactérias, restos de sangue e restos de células.
Após escovarmos os nossos dentes, temos o costume, ou pelo menos, deveríamos ter, de lavar a escova em água corrente. Esse hábito ajuda a eliminar a sujeira mais evidente, porém, a sujeira não visível a olho nu, e consequentemente as bactérias nela presente, não são removidas. Após utilizar as escovas de dente, suas cerdas permanecem úmidas e, pela proximidade existente entre elas, quentes. Sabemos que toda bactéria se utiliza de um ambiente úmido e quente para transformar os restos de alimentos, sangue e células em “veneno”! Além disso, a maior parte de nós costuma deixar as escovas de dente expostas sobre a pia do banheiro, que, geralmente, fica próxima, ou no mesmo ambiente, que o vaso sanitário. Ao acionarmos a descarga sem abaixar a tampa do vaso, o spray de água emitido pelo jato de descarga pode alcançar a superfície das cerdas das escovas de dente, por isso não é de se estranhar, encontrarmos coliformes fecais nessa região.
De acordo com um estudo recentemente realizado em Campinas, pesquisadores sugerem que a higiene das escovas de dente seja feita todo dia. O ideal é deixá-las com as cerdas mergulhadas, por 10 minutos, em solução contendo clorexidina, substância altamente eficaz no combate das bactérias e facilmente encontrada nas farmácias. Após isso, o ideal seria guardá-las dentro de um armário para prevenir o contato delas com o spray da descarga. Se a higiene diária não for possível, ela deve ser realizada, pelo menos, uma vez por semana, da mesma maneira citada acima.
É importante lembrá-los que a troca das escovas de dente deve ser feita a cada 3 meses, no máximo. A partir do momento que as cerdas começam a ficar danificadas e/ou espaçadas entre si, a substituição da escova está indicada. Em pacientes que costumam escovar os dentes com muita força, esse tempo é menor, podendo chegar até a 1 mês, mas nunca ultrapassando os 3 meses.
Para quem se interessar, segue o link contendo a matéria na íntegra: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/01/12/escovas-de-dentes-podem-acumular-bacterias-prejudiciais-a-saude-em-apenas-dois-meses.jhtm
Cuide de quem cuida de você, sua saúde agradece!
Um beijo grande
Dra. Jú

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

UM POUCO DE OTIMISMO NÃO FAZ MAL À NINGUÉM!

Até que enfim uma notícia boa com relação à saúde bucal nos últimos tempos!
De acordo com notícia publicada no “Estadão”, “… o Brasil passa a integrar o grupo de países com baixa prevalência de cárie.” Entretanto, o título da notícia não é nem um pouco animador: “ País precisará de 14 anos para acabar com déficit de próteses dentárias.” 
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101229/not_imp659360,0.php
Isso apenas mostra que as políticas de saúde bucal adotadas até agora não foram eficazes. E o que levou a essa ineficiência? Provavelmente a falta de PREVENÇÃO. Impressionante como uma palavra pode fazer toda a diferença, não é mesmo?!
Infelizmente, a odontologia sempre foi uma parte da saúde atrasada. Nós só começamos a pensar em prevenir há mais ou menos uns 10 anos. Até então, a profissão era preferencialmente curativa.
E falo isso baseada nas minhas percepções clínicas de dentro do meu consultório, não em estudos do governo. É notório que as crianças de hoje têm muito menos dentes cariados do que as crianças da minha geração, assim como os adultos jovens, apresentam menos dentes perdidos do que os idosos. Isso é a evolução da nossa profissão!
Alguns mais desavisados podem estar se perguntando: “Mas se o Brasil do futuro não tiver mais cárie, do que sobreviverão os dentistas?” Da prevenção, oras! Da odontologia cosmética, por que não?! É muito mais confortável para os pacientes e para os dentistas também, afinal trabalhar no limiar da dor não é relaxante pra ninguém.
Por isso, pessoal, vamos tentar entrar no ano novo com uma cabeça nova. É um convite que faço a todos vocês, queridos leitores. Afinal, prevenir ainda é muito melhor do que remediar!
Um beijo grande!
Dra. Jú